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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Crase: Gramática para o 3º ano!

O generoso e divertido companheiro de crônicas
Conheci Marcos Rey há mais de vinte anos, quando sonhava tornar-me escritor. Certa vez confessei esse desejo à atriz Célia Helena, que deixou sua marca no teatro paulista. Tempos depois, ela me convidou para tentar adaptar um livro para teatro. Era O RAPTO DO GAROTO DE OURO, de Marcos. Passei noites me torturando sobre as teclas. Célia marcou um encontro entre mim e ele, pois a montagem dependia da aprovação do autor. Quando adolescente, eu ficara fascinado com MEMÓRIAS DE UM GIGOLÔ, seu livro mais conhecido. Nunca tinha visto um escritor de perto. Imaginava uma figura pomposa, em cima de um pedestal. Meu coração quase saiu pela boca quando apertei a campainha. Fui recebido por Palma, sua mulher. Um homem gordinho e simpático entrou na sala. Na época, já sofria de uma doença que lhe dificultava o movimento das mãos e dos pés. Cumprimentou-me. Sorriu. Estava tão nervoso que nem consegui dizer "boa-tarde". Gaguejei. Mas ele me tratou com o respeito que se dedica a um colega. Propôs mudanças no texto. Orientou-me. Principalmente, acreditou em mim. A peça permaneceu em cartaz dois anos. Muito do que sou hoje devo ao carinho com que me recebeu naquele dia.
(WALCYR CARRASCO, PÁG. 98 - VEJA SP, 14 DE ABRIL, 1999.)
Justifique o uso do sinal de crase em à, no trecho destacado.



Antes de começar a aula - matéria e exercícios no quadro, como muita gente entende -, o mestre sempre declamava um poema e fazia vibrar sua alma de tanta empolgação e os alunos ficavam admirados. Com a sutileza de um sábio foi nos ensinando a linguagem poética mesclada ao ritmo, à melodia e a própria sensibilidade artística. Um verdadeiro deleite para o espírito, uma sensação de paz, harmonia. (Osório, T. Meu querido professor. "Jornal Vale Paraibano", 15/10/1999.)
a) Qual a interpretação que pode ser dada à ausência da crase no trecho "a própria sensibilidade artística"?
b) Qual seria a interpretação caso houvesse a crase?



Entre as formas A, AS, À, ÀS, HÁ, HÃO, FAZ, FAZEM, escolha as que completam corretamente a frase abaixo.
________ seis meses fomos ________ Bahia. Chegamos ________ cidade de Salvador sábado, ________ dezesseis horas. Domingo, dirigimo-nos ________ Itabuna, que fica ________ 454 quilômetros da capital. Nestas férias, pretendemos ir ________ Curitiba, ________ Florianópolis e ________ capital do Rio Grande do Sul.




Leia atentamente o poema em evidência, e a seguir atente-se paras as questões referentes ao mesmo:
Quando saio às ruas
Sinto o que é solidão
Se paro à sombra de uma velha árvore
Fico a pensar se ainda me resta alguma ilusão.
                                         Marina Ferreira
Em algumas expressões há o acento indicador da crase, em outras não. De acordo com os seus conhecimentos no que se refere a este fato linguístico, justifique as ocorrências. 




Ao adentrar em uma empresa, Paulo deparou-se com um cartaz, no qual havia os seguintes dizeres:                                   
            Proibido à entrada de funcionários por este local
                     Dirija-se a direita e seja bem vindo!
                                         À Direção     

Tomando como ponto de partida os pressupostos teóricos relacionados à gramática, analise-os no intuito de detectar possíveis “desvios” quanto ao discurso apresentado. No caso de alguma ocorrência positiva, procure justificá-la.

Verbos - Parte III


Informe a pessoa e o número das formas verbais destacadas.
a. Enquanto vovô bebia sua caipirinha, eu comia os bombons
recheados com licor e, depois de devorar uma caixa inteira, senti
que o mundo rodopiava .
b. Nem sempre fazemos na vida o que queremos , porém é importante
saber esperar, dar tempo ao tempo, como dizem os mais velhos.

Informe o tempo e o modo das formas verbais destacadas.
a. A criança correu antes que a mãe a pegasse .
b. Quando entrei no quarto, a luz já se apagara .
c. Se falares alto, todos receberão a tua mensagem.
d. Ficaríamos presos no elevador por mais tempo, se o zelador não
aparecesse .
e. Espero que volte cedo para que jantemos juntos.
f. Ninguém sabia se ele voltaria ou não.

Informe o modo de cada forma verbal: indicativo , subjuntivo , imperativo .
a. Essa sua história, eu a conheço bem.
b. Anda depressa, senão chegarás atrasado.
c. Se ele chegar cedo, iremos ao cinema.
d. Não sairão sem que seu pai tome conhecimento.
e. Terminaríamos o trabalho hoje, se todos colaborassem .
f. Deixe de se lamentar e lute pelos seus direitos.

Informe a pessoa, o número, o tempo, o modo, o infinitivo e a conjugação das formas verbais destacadas.
Modelo: levanto : 1a pessoa do singular do presente; modo indicativo;
infinitivo: levantar; 1a conjugação
“Mas batem à porta. Levanto o escuro garfo do magro bife, e abro .
Céus, é um empregado da Companhia! Estremeço de emoção. Mas
ele me estende um papel: é apenas o cobrador. Volto ao bife, curvo a
cabeça, mastigo devagar, como se estivesse mastigando meus
pensamentos, a larga tristeza de minha humilde vida, as decepções e
remorsos. O telefone continuará mudo; não importa: ao menos é
certo, senhor, que não vos esquecestes de mim.” (Rubem Braga)

Passe os tempos simples, destacados, para a forma composta.
a. Eles sonharão com as Olimpíadas?
b. A mulher jogara o lixo no terreno baldio.
c. Você mandaria flores ao diretor?
d. Assim que ele telefonar irei ao seu encontro.

Passe as formas verbais compostas para a forma simples.
a. Amanhã elas terão regressado da excursão.
b. O funcionário já havia comunicado sua demissão.
c. Regina teria sido justa com o seu filho?
d. Quando eles tiverem saído , a casa estará vazia.

Identifique as locuções verbais.
a. Estou lendo muito ultimamente.
b. Haverei de encontrar uma solução para este problema.
c. Você terá de trabalhar muito ainda.
d. Ele anda fazendo coisas estranhas.
e. Terei de fazer tudo para você?
f. Eu não posso contar com a ajuda de ninguém.
g. Irei almoçar com uns amigos no próximo domingo.






Poesia 45 - Ferreira Gullar & Mário Quintana


EMERGÊNCIA
                                             Mário Quintana
Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
 – Por isso é que os poemas têm ritmo
— para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.




AGOSTO 1964
                                         Ferreira Gullar
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon.
– Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
– que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
– mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
– do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira
In: MORICONI, Italo (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 117 e 267.

Com base na leitura dos poemas Emergência, de Mário Quintana, e Agosto 1964, de Ferreira Gullar, explique a concepção de poesia de cada sujeito poético e destaque, pelo menos, dois recursos linguísticos que constituem imagens poéticas de cada texto. Justifique sua escolha.

Prosa de 45: Guimarães Rosa

 

(...) Como não ter Deus?! Com Deus existindo, tudo dá esperança: sempre um milagre é possível, o mundo se resolve.Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas, não se podendo facilitar — é todos contra os acasos. Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença de coisa nenhuma! Porque existe dor. E a vida do homem está presa encantoada — erra rumo, dá em aleijões como esses, dos meninos sem pernas e braços. (...)(Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas.)Uma das principais características da obra de Guimarães Rosa é sua linguagem artificiosamente inventada, barroca até certo ponto, mas instrumento adequado para sua narração, na qual o sertão acaba universalizado.
a) Transcreva um trecho do texto apresentado, onde esse tipo de “invenção” ocorre.
b) Transcreva um trecho em que a sintaxe utilizada por Rosa configura uma variação lingüística que contraria o registro prescrito pela língua padrão.

Normalmente, na construção de um texto, é comum um pronome recuperar um elemento anterior, como em “Fome Zero, abrace essa causa!” No trecho de Guimarães Rosa, há uma situação oposta, em que o elemento recuperado
aparece depois do pronome.
a) Identifique essa situação.
b) Construa uma outra frase que repita esse tipo de situação.

- UAI, EU?

1 Se o assunto é meu e seu, lhe digo, lhe conto; que vale enterrar minhocas? De como aqui me vi, sutil assim, por tantas cargas d'água. No engano sem desengano: o de aprender prático o desfeitio da vida.

2 Sorte? A gente vai - nos passos da história que vem. Quem quer viver faz mágica. Ainda maiseu, que sempre fui arrimo de pai bêbado. Só que isso se deu, o que quando, deveras comigo, feliz e prosperado. Ah, que saudades que eu não tenha... Ah, meus bons maus-tempos! Eu trabalhava para um senhor Doutor Mimoso.3 Sururjão, não; é solorgião. Inteiro na fama - olh'alegre, justo, inteligentudo - de calibre de quilate de caráter. Bom até-onde-que, bom como cobertor, lençol e colcha, bom mesmo quando com dor-de-cabeça: bom, feito mingau adoçado. Versando chefe os solertes preceitos. Ordem, por fora; paciência por dentro. Muito mediante fortes cálculos, imaginado de ladino, só se diga. A fim de comigo ligeiro poder ir ver seus chamados de seus doentes, tinha fechado um piquete no quintal: lá pernoitavam, de diário, à mão, dois animais de sela - prontos para qualquer aurora.4 Vindo a gente a par, nas ocasiões, ou eu atrás, com a maleta dos remédios e petrechos, renquetrenque, estudante andante. Pois ele comigo proseava, me alentando, cabidamente, por norteação - a conversa manuscrita. Aquela conversa me dava muitos arredores. Ô homem! Inteligente como agulha e linha, feito pulga no escuro, como dinheiro não gastado. Atilado todo em sagacidades e finuras - é de "fimplus"! "de tintínibus"... - latim, o senhor sabe, aperfeiçoa... Isso, para ele, era fritada de meio ovo. O que porém bem. (ROSA, João Guimarães. "Tutaméia: terceiras estórias". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.)

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra 

tinha uma pedra no meio do caminho 

no meio do caminho tinha uma pedra.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. "Reunião". Rio de Janeiro: José Olympio, 1972.)


1. Na estrutura tradicional de um texto narrativo, uma das atribuições do narrador é nos dar informações a respeito dos personagens.
a) O narrador onisciente é aquele que sabe tudo sobre todos os personagens e suas ações; o narrador-personagem conta a história e dela participa.Identifique o tipo de narrador do texto de Guimarães Rosa e explique, com uma ou duas frases completas, como esse tipo de narrador nos conduz a ver os personagens e a situação em que se encontram.
b) Considerando a descrição que o narrador faz do personagem, justifique, com uma frase completa, se a imagem do personagem Doutor Mimoso pode ser depreendida como positiva ou negativa.


Arcadismo - 1º ano





 Texto I

Marília de Dirceu

Lira II


Pintam, Marília, os Poetas
A um menino vendado,
Com uma aljava de setas,
Arco empunhado na mão;
Ligeiras asas nos ombros,
O tenro corpo despido,
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes, que lhe dão.


Porém eu, Marília, nego,
Que assim seja Amor; pois ele
Nem é moço, nem é cego,
Nem setas, nem asas tem.
Ora pois, eu vou formar-lhe
Um retrato mais perfeito,
Que ele já feriu meu peito;
Por isso o conheço bem.


Os seus compridos cabelos,
Que sobre as costas ondeiam,
São que os de Apolo mais belos;
Mas de loura cor não são.
Têm a cor da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marília, um composto
Da mais formosa união.


Tem redonda, e lisa testa,
Arqueadas sobrancelhas;
A voz meiga, a vista honesta,
E seus olhos são uns sóis.
Aqui vence Amor ao Céu,
Que no dia luminoso
O Céu tem um Sol formoso,
E o travesso Amor tem dois.


Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim.


Mal vi seu rosto perfeito
Dei logo um suspiro, e ele
Conheceu haver-me feito
Estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
Entendia eu não olhava:
Vendo o que via, baixava
A modesta vista ao chão.


Chamei-lhe um dia formoso:
Ele, ouvindo os seus louvores,
Com um gesto desdenhoso
Se sorriu, e não falou.
Pintei-lhe outra vez o estado,
Em que estava esta alma posta;
Não me deu também resposta,
Constrangeu-se, e suspirou.


Conheço os sinais, e logo
Animado de esperança,
Busco dar um desafogo
Ao cansado coração.
Pego em teus dedos nevados,
E querendo dar-lhe um beijo,
Cobriu-se todo de pejo,
E fugiu-me com a mão.

Tu, Marília, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Contigo estarás dizendo,
Que é este o retrato teu.
Sim, Marília, a cópia é tua,
Que Cupido é Deus suposto:
Se há Cupido, é só teu rosto,
Que ele foi quem me venceu.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. São Paulo, Melhoramentos, 1964. p. 29-30

Texto II

de que seda
é tua pele?

de que fogo
minha sede?

de que vida
tua vinda?

pedaço que pedaço
sonho que teço

que jogo
nos vence?

cedo
mais cedo
do que penso.

Alice Ruiz. Vice-versos. São Paulo, Brasiliense, 1988. p. 36

1. Que impressão você teve sobre o amor ao ler os poemas?

2. Identifique nos poemas pronomes e verbos que revelam a pessoa gramatical do eu lírico.

3. Caracterize o eu lírico de cada poema.

4. Explique o que é o amor para:
a) o eu lírico de Dirceu.

b) o eu lírico do poema de Alice Ruiz.

5. Como é a linguagem predominante em cada poema: formal ou informal? Comente.

6. No verso " E seus olhos são uns sóis", que qualidades foram ressaltadas a respeito dos olhos de Marília?

7. Releia os últimos versos de cada poema. Esses versos apresentam uma ideia comum em relação ao amor. Que ideia é essa?


Verbos - Parte II


1 Identifique os verbos e informe o que eles expressam: ação , estado ou fenômeno da natureza .
a. Chovia e ventava muito. Os guarda-chuvas enroscavam-se uns
nos outros. O mundo estava molhado e sombrio.
b. Devido à seca, os nordestinos abandonam suas terras e partem à
procura de melhores condições de vida.
c. Geou um pouco e o preço do café subiu muito.
d. Enquanto o líder falava, todos permaneciam atentos.
e. “O céu parece de algodão:
O dia morre. Choveu tanto!” (Manuel Bandeira)
f. “O calor não estava mole. Com as ruas da cidade esburacadas e
intransitáveis, por causa do metrô em construção, o tráfego se
arrastava. Chegaram à Rodoviária em cima da hora.”
(Carlos Heitor Cony)

2 Identifique os verbos do trecho.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto feliz.”
(Cecília Meireles)

3 Faça conforme o modelo.
abro — infinitivo abrir; 3a conjugação
a. encontro e. sonhando
b. avisto f. parecem
c. canta g. cumprido
d. pulam h. sinto

4 Separe a terminação que marca o infinitivo dos verbos e descubra o radical.
Modelo: abr ? ir — radical: abr
a. encontrar e. sonhar
b. avistar f. parecer
c. cantar g. cumprir
d. pular h. sentir

5 Informe as terminações das formas verbais.
Modelo: abr ? o — terminação: o
a. encontro e. sonhando
b. avisto f. parecem
c. canta g. cumprindo
d. pulam h. Abrem

6 Informe a pessoa do discurso a que se referem as formas verbais destacadas.
Modelo: Eu abro a janela e o sol bate no meu rosto.
abro — 1a pessoa do singular
bate — 3a pessoa do singular
a. “Tirei o sapato e bati fortemente com o salto no vidro, que se
espatifou num tremendo ruído.” (Fernando Sabino)
b. “De todos, Tito era quem mais batia; desvantagem de ser caçula...
Éramos os mais próximos pela idade, e os outros dois, Miguel e
Édison, sentiam vergonha de sujar as mãos em mim.”
(Carlos Drummond de Andrade)

7 Passe os verbos destacados da 1a pessoa do singular para a 1a pessoa do plural.
a. Às vezes ando pelo centro e observo os prédios antigos.
b. Sinto saudade da infância quando viajo pelo interior.
c. Percebo que me irrito com o individualismo das pessoas.
d. Apoio as mudanças por uma sociedade mais justa.

8 Passe os verbos destacados da 3a pessoa do singular para a 3a pessoa do plural.
a. Ele queria ser alfabetizado.
b. O carro passou lentamente pelo cruzamento perigoso.
c. O pintor quebrou o pincel quando terminava o quadro.
d. O cão revelava sua linguagem pela expressão dos olhos.

9 Identifique a classe gramatical a que pertencem as palavras destacadas.
Conto azul
Eu já escrevi um conto azul, vários até. Mas este é um conto de todas as cores. Porque era uma vez um menino azul, uma menina verde, um negrinho dourado e um cachorro com todos os tons e entretons do arco-íris.
Até que apareceu uma Comissão de Doutores — os quais, por mais que esfregassem os nossos quatro amigos, viram que não adiantava. E perguntaram se aquilo era de nascença ou se...
Mas nós não nascemos interrompeu o cachorro — Nós
fomos inventados!”
(Mário Quintana)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Verbos: só para começar!!! 2º Ano


"Já não dormia, com medo de morrer  de sonhos. Esperava de olhos abertos a ferida com que a luz da manhã a atingia. Assim, depois de passar as noites inquieta entre a respiração das trevas e a inalação do sol, trocava de roupa e ia magistralmente preparar o café da manhã."
 a) O verbo "dormia" é de que conjugação e em que tempo está conjugado?
b) Reescreva a segunda frase do texto, passando os verbos para o Presente do Indicativo.
c) Reescreva a oração "...trocava de roupa e ia magistralmente preparar o café" passando os verbos destacados para o futuro.
d) Responda que verbos derivam dos substantivos abaixo:
# sonhos:
# olhos:
# ferida:
# respiração:

"Seguro era olhar pela janela de vidro! Por isso ele se escondia atrás dos óculos. Protegia-se da luz do dia e da luz de outros olhos. E mantinha à distância o mundo que o agredia. Mas a janela fingia obedecer ao seu comando. Não fechava a qualquer hora e tampouco abria quando ele queria. A janela dos óculos, senhora absoluta de sua própria vontade, só admitia um segundo movimento: arrancá-lo do rosto e pronto! Um dia, apesar dos dois olhos, ele descobriu que bastava uma das mãos para inaugurar o mundo!"
a) Distribua os verbos destacados no texto, na tabela abaixo, de acordo com a conjugação a que pertencem.
1ª conjugação
2ª conjugação
3ª conjugação







b) Os verbos presentes no texto estão conjugados no:
(         ) Presente                  (        ) Pretérito              (         ) Futuro
c) Reescreva a primeira frase do texto, passando o verbo para o Presente.
d) O que era, na verdade, a janela citada no texto?

"De tempos em tempos abria os álbuns de fotografia, para buscar pedaços do que havia perdido. Revisitava idades através de narizes e bocas, para contar um a um os riscos que a espátula dos anos havia desenhado com exatidão. E quando terminava seu ritual de inspeção, escondia-se no quarto para chorar "a falta de". Um dia descobriu, entre atônita surpresa, que suas lágrimas eram coloridas. A partir daí passou a exibir, sem medo, a pintura de seu rosto aquarelado de histórias."
a) Reescreva o texto, passando os verbos para o Presente do Indicativo.

"Sempre quis ser a Emília do Lobato. Sem papas na língua, sem freios na imaginação, com suas perversõezinhas caseiras. Se era de dizer, era mais de fazer. E fez da vida um grande sítio amarelo, onde tudo e todos chegavam e partiam, atraídos pelo exercício do imaginário. E de tanto poder tudo, inclusive ser gente, entrou para sempre no livro da infância eterna."
a) Que verbos podemos derivar de:
# freios:
# exercícios:
# imaginário: 
b) Frases verbais são as frases que têm, pelo menos, um verbo. Frases Nominais, são aquelas que não têm verbo. Retire do texto uma frase nominal.
c) Retire do texto:
# 3 verbos de 1ª conjugação:
# 3 verbos de 2ª conjugação:
# 1 verbo de 1ª conjugação:
d) Os verbos do texto estão conjugados em que tempo?

Leia o texto e responda às questões:
"No Parque
algodão-doce rosa
me faz
acreditar
no cheiro da cor.
Por isso
as flores
algodoadas
do amor
são sempre rosas." (Celso Sisto)

a) O verbo "acreditar" é um verbo de 1ª conjugação, pois termina em -ar. De que conjugção são os verbos "faz" e "são"?
b) Os verbos "faz" e "são" estão no presente, no pretérito ou no futuro?

Leia o texto e responda às questões:
"O forno está
aceso, bem se !
A fogueira milagrosa
vai fazer brotar
do calor
um bolo de amor".  (Celso Sisto)

a) Indique a que conjugação pertencem os verbos destacados no texto.
b) Em que tempo estão conjugados?
c) Reescreva a 1ª frase do texto, passando os verbos para o pretérito.
d) Reescreva a 2ª frase do texto, substituindo a locução verbal "vai fazer" pelo verbo correspondente, no tempo futuro.
e) Há, no texto, um verbo que indica estado? Qual é?
f) Há, no texto, um verbo e uma locução verbal que indicam ação. Quais são?

Fiquei de castigo (Celso Sisto)
Não sei por que estou aqui,
trancado nesse quarto!
Eu só deixei a geladeira aberta,
a cama sem coberta,
uma tarefa incompleta,
uma mentirinha encoberta,
e não achei a palavra certa
para inventar uma história esperta! 

a) Copie os verbos destacados no texto, indicando a conjugação de cada um deles e o tempo em que estão conjugados.
b) Reescreva a 1ª frase do texto, passando o verbo para o pretérito.
c) Reescreva a 2ª frase do texto, passando os verbos para o presente.

No meio de pesadelo e de assombração (Celso Sisto)
No meio da noite
eu caio, eu grito,
perco o sentido,
desmaio ao pé da cama,
no meu quarto,
hospital ambulante
dos feridos de guerra.
Depois vem o dia, pra lembrar
que tudo tudo tudo foi só um treino de arrepiar!
E eu, quase morri de sonhar!

a) Há, no texto, verbos que indicam ação. Transcreva-os.
b) Indique a que conjugação pertencem e em que tempo estão conjugados esses verbos.




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Regência nominal e verbal - 3º ano


 Vamos à prática!!

Complete as frases com as preposições adequadas, contraindo-as
quando for necessário.
a. O salão nobre da mansão é destinado (/) grandes recepções.
b. As visitas (/) prédios antigos e (/) casas coloniais são
acompanhadas por guias especializados.
c. Serão abertas (/) público as farmácias homeopáticas tão esperadas
(/) população.
d. A presença (/) crianças (/) grupos escolares é comum no Instituto
Butantã.
e. Poucos se preocuparam com a ampliação (/) atividades culturais.
f. Os alunos empolgaram-se com a discussão (/) temas abolicionistas.
g. O objetivo das pesquisas é relacionar o aumento (/) desidratação
(/) crescimento da miséria brasileira.
h. Uma das coisas que mais respeito (/) alguém é a sua coerência, o
fato (/) fazer na vida tudo que é compatível (/) suas ideias.
i. A maioria das crianças brasileiras é propensa (/) doenças
infecciosas.
j. Aquela senhora foi atenciosa (/) as visitas.
k. Qualquer sistema democrático é preferível (/) autoritarismo.
l. Os temas (/) livro eram filosóficos.
m. Não estávamos aptos (/) exercer o cargo.
n. Estávamos ansiosos (/) chegada do Natal.
o. Este é o preço estabelecido (/) a passagem de ônibus.
p. A descrição das florestas e igarapés era feita (/) beleza e poesia.

Identifique as frases em que ocorre regência nominal inadequada e
corrija-as.
a. Ele, deitado na cama, estava alheio a tudo; mesmo assim
abracei-o.
b. Apesar de toda a comemoração em sua homenagem, ainda era
necessária a confirmação de sua presença.
c. Aquela área de terra pertencia-lhe havia muito tempo e isso era o
bastante para não colocarem dúvidas sobre o seu direito de
propriedade.
d. Aquele homem, embora já tivesse perdido muito dinheiro, era
constante do vício de jogar.
e. O prejuízo causado pelo incêndio de ontem à noite foi análogo
ao do ano passado.
f. Às vezes é preferível ficar em casa do que viajar.
g. A sua falta na prova foi justificada.
h. Álvares de Azevedo foi contemporâneo com a época de Junqueira
Freire e Fagundes Varela.

Dê o significado dos verbos destacados nas frases.
a. O Exército chamou os jovens rapazes.
b. Chamavam o jogador de Cestinha.
c. Chamavam ao jogador de Cestinha.
d. Eu queria um livro de Gramática.
e. Eu quero aos meus pais.
f. As enfermeiras assistiam os doentes com dedicação.
g. Os turistas assistiram a apresentações folclóricas na Bahia.
h. Assistia ao advogado de defesa o direito à palavra.
i. O jogador visou as traves e chutou a bola certeira.
j. Tudo o que fazia era visando à tranquilidade dos pais.
k. O gerente do banco visou o cheque.
l. Na primavera, aspiramos o perfume das flores.
m. Há homens que aspiram ao poder pela força.
n. Custou aos alunos entender aquele exercício.
o. A aquisição do imóvel custou -nos muito trabalho.
p. Sua argumentação referente à falta de leite não procede.
q. Muitos problemas de saúde procedem de má alimentação.
r. O organizador da exposição procedeu à entrega das medalhas.
s. A escola atual atende às reais necessidades das crianças e dos
jovens brasileiros?
t. Com jeito, a garota acabou atendendo ao pedido do namorado.
u. O prefeito atendeu muito bem os repórteres.
v. O helicóptero precisou o local onde o avião havia caído.
w. Precisamos de tempo para recompor nossas economias.

Retire os verbos destacados no exercício anterior e classifique-os de
acordo com o seu significado em: intransitivo, transitivo direto,
transitivo indireto, transitivo direto e indireto.
Modelo:
a. Chamar — sentido de convocar — verbo transitivo direto
b. Chamar — sentido de denominar — verbo transitivo direto
c. Chamar — sentido de denominar — verbo transitivo indireto

Complete.
Observando os diferentes significados e as diferentes regências dos
verbos no exercício anterior, conclui-se que esses verbos alteram o
significado conforme (/).

Reveja na parte teórica os verbos destacados abaixo. Informe suas
peculiaridades.
Modelo: Não me lembrei de desligar o ferro.
lembrar-se: pronominal — verbo transitivo indireto
Esqueci o material de Língua Portuguesa.
esquecer: não pronominal — verbo transitivo direto
a. Vera lembrou-se do aniversário de Fernando.
b. Esqueci-me de comprar papel higiênico.
c. Lembrei o nome daquela cantiga folclórica.
d. Lígia esqueceu as sandálias na praia.
e. Já pagamos todas as nossas dívidas.
f. Você já pagou ao tintureiro?
g. Eles pagam baixos salários aos boias-frias.
h. Nossos credores perdoaram nossas dívidas.
i. Há pais que não perdoam aos filhos.
j. A firma não perdoou a dívida aos credores.
k. Agradecemos os favores recebidos.
l. Já agradeceram aos vizinhos?
m. Você já agradeceu a seu pai o presente?


terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Parnasianismo - 2º Ano




 “Vaso grego”
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás-de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

1.       O poema é “fotográfico”, ou seja, faz um recorte da realidade, retratando-as com palavras. Descreva, com suas palavras, o mesmo objeto que o autor descreveu.
2.       O Parnasianismo acentua as impressões visuais. Destaque do texto as impressões visuais transmitidas pelo poeta.
3.       Explique, em relação a esse texto, a impassibilidade, justificando.

 “As pombas”
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sangüinea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais.

4.       O texto é reflexivo, isto é, traduz uma inquietação, exprime uma reflexão a respeito de algo. Qual é o tema dessa reflexão?
5.       O poema organiza-se em duas partes: na primeira, o poeta contempla um fato natural que inspira as reflexões da segunda parte, através de comparações;
a.       Que fato natural o poeta observa?
b.       A que ele é comparado?
c.        Que conclusões o poeta tira dessa comparação? Justifique.
6.       Retire o texto elementos tipicamente parnasianos, e, relação à forma e ao conteúdo, justificando.

Poema “Profissão de fé”
Não quero o Zeus Capitolino
Hercúleo e belo,
Talhar no mármore divino
Com o camartelo.

Que outro - não eu! - a pedra corte
Para, brutal,
Erguer de Atene o altivo porte
Descomunal.

Mais que esse vulto extraordinário,
Que assombra a vista,
Seduz-me um leve relicário
De fino artista.

Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor.

Imito-o. E, pois, nem de Carrara
A pedra firo:
O alvo cristal, a pedra rara,
O ônix prefiro.

Por isso, corre, por servir-me,
Sobre o papel
A pena, como em prata firme
Corre o cinzel.

Corre; desenha, enfeita a imagem,
A idéia veste:
Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem
Azul-celeste.

Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:

E que o lavor do verso, acaso,
Por tão subtil,
Possa o lavor lembrar de um vaso
De Becerril.

E horas sem conto passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.

Porque o escrever - tanta perícia,
Tanta requer,
Que oficio tal... nem há notícia
De outro qualquer.

Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!

Deusa! A onda vil, que se avoluma
De um torvo mar,
Deixa-a crescer; e o lodo e a espuma
Deixa-a rolar!

Blasfemo> em grita surda e horrendo
Ímpeto, o bando
Venha dos bárbaros crescendo,
Vociferando...

Deixa-o: que venha e uivando passe
- Bando feroz!
Não se te mude a cor da face
E o tom da voz!

Olha-os somente, armada e pronta,
Radiante e bela:
E, ao braço o escudo> a raiva afronta
Dessa procela!

Este que à frente vem, e o todo
Possui minaz
De um vândalo ou de um visigodo,
Cruel e audaz;

Este, que, de entre os mais, o vulto
Ferrenho alteia,
E, em jato, expele o amargo insulto
Que te enlameia:

É em vão que as forças cansa, e â luta
Se atira; é em vão
Que brande no ar a maça bruta
A bruta mão.

Não morrerás, Deusa sublime!
Do trono egrégio
Assistirás intacta ao crime
Do sacrilégio.

E, se morreres por ventura,
Possa eu morrer
Contigo, e a mesma noite escura
Nos envolver!

Ah! ver por terra, profanada,
A ara partida
E a Arte imortal aos pés calcada,
Prostituída!...

Ver derribar do eterno sólio
O Belo, e o som
Ouvir da queda do Acropólio,
Do Partenon!...

Sem sacerdote, a Crença morta
Sentir, e o susto
Ver, e o extermínio, entrando a porta
Do templo augusto!...

Ver esta língua, que cultivo,
Sem ouropéis,
Mirrada ao hálito nocivo
Dos infiéis!...

Não! Morra tudo que me é caro,
Fique eu sozinho!
Que não encontre um só amparo
Em meu caminho!

Que a minha dor nem a um amigo
Inspire dó...
Mas, ah! que eu fique só contigo,
Contigo só!

Vive! que eu viverei servindo
Teu culto, e, obscuro,
Tuas custódias esculpindo
No ouro mais puro.

Celebrarei o teu oficio
No altar: porém,
Se inda é pequeno o sacrifício,
Morra eu também!

Caia eu também, sem esperança,
Porém tranqüilo,
Inda, ao cair, vibrando a lança,
Em prol do Estilo!

7.       Indique a estrofe em que se torna mais evidente e explicito a projeto estético do poeta. Justifique.
8.  A excessiva preocupação formalista foi muito criticada por autores e críticos posteriores. Destaque do texto passagens que evidencia esse culto a “arte pela arte”

 “A um poeta”
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!
Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego
Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:
Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
é a força e a graça na simplicidade.
9.       No texto, o trabalho poético é pintado como de extremo esforço. Que expressões evidenciam isso. 
10.  Em qualquer um dos poemas acima, destaque exemplos de enjaberment.

Os laços de família - Clarice Lispector (3º Ano)

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Os laços de família – Clarice Lispctor 


  1. Severina passara quinze dias na casa da filha e do genro. Observe os diálogos entre a sogra e o genro.
a)       Como se caracteriza a relação entre eles? Indique um trecho que comprove sua resposta.
b)       Na hora da despedida, Catarina sente vontade de rir. Por quê?

  1. Nos contos de Clarice Lispector, é comum um fato banal do cotidiano desencadear um processo de epifania, isto é, um processo de revelação,de tomada de consciência da personagem.
a)       Que fato desencadeia um processo epifânico no relacionamento entre mãe e filha?
b)       A partir desse momento, o que se revela à Catarina quanto ao relacionamento com a mãe?

  1. Releia este fragmento do conto
(…)
A mãe tirou o espelho da bolsa e examinou-se no se chapéu novo, comprado no mesmo chapeleiro da filha. Olhava-se compondo um ar excessivamente severo onde não faltava alguma admiração por si mesma. A filha observava divertida. Ninguém mais pode te mar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se “mãe e filha” fosse vida e repugnancia. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso.
a)       Na prosa de Clarice, é comum o emprego de metáforas ou de antíteses e paradoxos surpreendentes. Identifique nesse trecho um exemplo de um desses recursos.
b)       Dê a interpetação coerente à frase “Sua mãe lhe doía.”

  1. Há diferentes forma de o narrador inserir os pensamentos das personagens an narrativa. Ele pode faze-lo, por exemplo, de modo linear, delimitando nitidamente a voz do narrador e o pensamento das personagens; pode também empregar o discurso indireto livre, misturando a fala do narrador com a fala das personagens; pode, ainda, inserir pensam pensamentos das personagens simultaneamente ao acontecimento dos fatos. No fragmento reproduzido da questão anterior:
a)       De que modo o narrador introduz o pensamento da personagens?
b)       Que efeito esse recurso provoca no andamento na narrativa?
c)       O que se destaca mais na literatura de Clarice: o enredo ou a introspecção psicologica das personagens? Por quê?

  1. Os diálogos entre mãe e filha são repetitivos e vazio, evidenciando uma oposição entre o que é dito e o que é pensado.
a)       Constatemente Severina diz “Não esqueci nada...”. Considernado o relacionamento das duas, o que elas realmente poderiam estar esquecendo?
b)       Com base ele elementos do texto, responda:O que as duas personagens efetivamente gostariam de ter dito? O que as impede de dizerem uma à outra o que realmente pensame e sentem?

  1. Claricce, em vários de seus contos, retrata a condição da mulher na sociedade, o casamento sem amor  e a vida alienada da mulher ao lado do marido. No conto o precesso epifânico vivido por Catarina faz com que ela chegue em casa diferente, mudada. E a palavra que o filho diz parece dar continuidade ao processo epifânico.
a)       Que efeito tem sobre o marido a iniciativa de Catarina sair do apartamento com o filho?
b)       Considernado “os laços de família” (título do conto) observados entre Catarina e a mãe, troque ideias com os colegas e dê uma interpretação coerente: Por que Catarian toma a iniciativa de sair do apartamento com o filho sem comunicar ao amrido?
c)       Catarina vai voltar, na sua opinião?

  1. Com base no conto “Os laços de família”, responda: Mesmo trabalhando com o universo da consciência individual das personagens, a literatura de Clarice Lispector consegue também ser social? Justifique sua resposta.
  
Os Laços de Família

A mulher e a mãe acomodaram-se finalmente no táxi que as levaria à Estação. A mãe contava e recontava as duas malas tentando convencer-se de que ambas estavam no carro. A filha, com seus olhos escuros, a que um ligeiro estrabismo dava um contínuo brilho de zombaria e frieza assistia.
— Não esqueci de nada? perguntava pela terceira vez a mãe.
— Não, não, não esqueceu de nada, respondia a filha divertida, com paciência.
Ainda estava sob a impressão da cena meio cômica entre sua mãe e seu marido, na hora da despedida. Durante as duas semanas da visita da velha, os dois mal se haviam suportado; os bons-dias e as boas-tardes soavam a cada momento com uma delicadeza cautelosa que a fazia querer rir. Mas eis que na hora da despedida, antes de entrarem no táxi, a mãe se transformara em sogra exemplar e o marido se tornara o bom genro. "Perdoe alguma palavra mal dita", dissera a velha senhora, e Catarina, com alguma alegria, vira Antônio não saber o que fazer das malas nas mãos, a gaguejar - perturbado em ser o bom genro. "Se eu rio, eles pensam que estou louca", pensara Catarina franzindo as sobrancelhas. "Quem casa um filho perde um filho, quem casa uma filha ganha mais um", acrescentara a mãe, e Antônio aproveitara sua gripe para tossir. Catarina, de pé, observava com malícia o marido, cuja segurança se desvanecera para dar lugar a um homem moreno e miúdo, forçado a ser filho daquela mulherzinha grisalha... Foi então que a vontade de rir tornou-se mais forte. Felizmente nunca precisava rir de fato quando tinha vontade de rir: seus olhos tomavam uma expressão esperta e contida, tornavam-se mais estrábicos - e o riso saía pelos olhos. Sempre doía um pouco ser capaz de rir. Mas nada podia fazer contra: desde pequena rira pelos olhos, desde sempre fora estrábica.
— Continuo a dizer que o menino está magro, disse a mãe resistindo aos solavancos do carro. E apesar de Antônio não estar presente, ela usava o mesmo tom de desafio e acusação que empregava diante dele. Tanto que uma noite Antônio se agitara: não é por culpa minha, Severina! Ele chamava a sogra de Severina, pois antes do casamento projetava serem sogra e genro modernos. Logo à primeira visita da mãe ao casal, a palavra Severina tornara-se difícil na boca do marido, e agora, então, o fato de chamá-la pelo nome não impedira que... - Catarina olhava-os e ria.
— O menino sempre foi magro, mamãe, respondeu-lhe. O táxi avançava monótono.
— Magro e nervoso, acrescentou a senhora com decisão.
— Magro e nervoso, assentiu Catarina paciente. Era um menino nervoso, distraído. Durante a visita da avó tornara-se ainda mais distante, dormira mal, perturbado pelos carinhos excessivos e pelos beliscões de amor da velha. Antônio, que nunca se preocupara especialmente com a sensibilidade do filho, passara a dar indiretas à sogra, "a proteger uma criança” ...
— Não esqueci de nada..., recomeçou a mãe, quando uma freada súbita do carro lançou-as uma contra a outra e fez despencarem as malas. — Ah! ah! - exclamou a mãe como a um desastre irremediável, ah! dizia balançando a cabeça em surpresa, de repente envelhecida e pobre. E Catarina?
Catarina olhava a mãe, e a mãe olhava a filha, e também a Catarina acontecera um desastre? seus olhos piscaram surpreendidos, ela ajeitava depressa as malas, a bolsa, procurando o mais rapidamente possível remediar a catástrofe. Porque de fato sucedera alguma coisa, seria inútil esconder: Catarina fora lançada contra Severina, numa intimidade de corpo há muito esquecida, vinda do tempo em que se tem pai e mãe. Apesar de que nunca se haviam realmente abraçado ou beijado. Do pai, sim. Catarina sempre fora mais amiga. Quando a mãe enchia-lhes os pratos obrigando-os a comer demais, os dois se olhavam piscando em cumplicidade e a mãe nem notava. Mas depois do choque no táxi e depois de se ajeitarem, não tinham o que falar - por que não chegavam logo à Estação?
— Não esqueci de nada, perguntou a mãe com voz resignada.
Catarina não queria mais fitá-la nem responder-lhe.
— Tome suas luvas! disse-lhe, recolhendo-as do chão.
— Ah! ah! minhas luvas! exclamava a mãe perplexa. Só se espiaram realmente quando as malas foram dispostas no trem, depois de trocados os beijos: a cabeça da mãe apareceu na janela.
Catarina viu então que sua mãe estava envelhecida e tinha os olhos brilhantes.
O trem não partia e ambas esperavam sem ter o que dizer. A mãe tirou o espelho da bolsa e examinou-se no seu chapéu novo, comprado no mesmo chapeleiro da filha. Olhava-se compondo um ar excessivamente severo onde não faltava alguma admiração por si mesma. A filha observava divertida. Ninguém mais pode te amar senão eu, pensou a mulher rindo pelos olhos; e o peso da responsabilidade deu-lhe à boca um gosto de sangue. Como se "mãe e filha" fosse vida e repugnância. Não, não se podia dizer que amava sua mãe. Sua mãe lhe doía, era isso. A velha guardara o espelho na bolsa, e fitava-a sorrindo. O rosto usado e ainda bem esperto parecia esforçar-se por dar aos outros alguma impressão, da qual o chapéu faria parte. A campainha da Estação tocou de súbito, houve um movimento geral de ansiedade, várias pessoas correram pensando que o trem já partia: mamãe! disse a mulher. Catarina! disse a velha. Ambas se olhavam espantadas, a mala na cabeça de um carregador interrompeu-lhes a visão e um rapaz correndo segurou de passagem o braço de Catarina, deslocando-lhe a gola do vestido. Quando puderam ver-se de novo, Catarina estava sob a iminência de lhe perguntar se não esquecera de nada...
— ...não esqueci de nada? perguntou a mãe.
— Também a Catarina parecia que haviam esquecido de alguma coisa, e ambas se olhavam atônitas - porque se realmente haviam esquecido, agora era tarde demais. Uma mulher arrastava uma criança, a criança chorava, novamente a campainha da Estação soou... Mamãe, disse a mulher. Que coisa tinham esquecido de dizer uma a outra? e agora era tarde demais. Parecia-lhe que deveriam um dia ter dito assim: sou tua mãe, Catarina. E ela deveria ter respondido: e eu sou tua filha.
— Não vá pegar corrente de ar! gritou Catarina.
— Ora menina, sou lá criança, disse a mãe sem deixar porém de se preocupar com a própria aparência. A mão sardenta, um pouco trêmula, arranjava com delicadeza a aba do chapéu e Catarina teve subitamente vontade de lhe perguntar se fora feliz com seu pai:
— Dê lembranças a titia! gritou.
— Sim, sim!
— Mamãe, disse Catarina porque um longo apito se ouvira e no meio da fumaça as rodas já se moviam.
— Catarina! disse a velha de boca aberta e olhos espantados, e ao primeiro solavanco a filha viu-a levar as mãos ao chapéu: este caíra-lhe até o nariz, deixando aparecer apenas a nova dentadura. O trem já andava e Catarina acenava. O rosto da mãe desapareceu um instante e reapareceu já sem o chapéu, o coque dos cabelos desmanchado caindo em mechas brancas sobre os ombros como as de uma donzela - o rosto estava inclinado sem sorrir, talvez mesmo sem enxergar mais a filha distante.
No meio da fumaça Catarina começou a caminhar de volta, as sobrancelhas franzidas, e nos olhos a malícia dos estrábicos. Sem a companhia da mãe, recuperara o modo firme de caminhar: sozinha era mais fácil. Alguns homens a olhavam, ela era doce, um pouco pesada de corpo. Caminhava serena, moderna nos trajes, os cabelos curtos pintados de acaju. E de tal modo haviam-se disposto as coisas que o amor doloroso lhe pareceu a felicidade - tudo estava tão vivo e tenro ao redor, a rua suja, os velhos bondes, cascas de laranja - a força fluia e refluia no seu coração com pesada riqueza. Estava muito bonita neste momento, tão elegante; integrada na sua época e na cidade onde nascera como se a tivesse escolhido. Nos olhos vesgos qualquer pessoa adivinharia o gosto que essa mulher tinha pelas coisas do mundo. Espiava as pessoas com insistência, procurando fixar naquelas figuras mutáveis seu prazer ainda úmido de lágrimas pela mãe. Desviou-se dos carros, conseguiu aproximar-se do ônibus burlando a fila, espiando com ironia; nada impediria que essa pequena mulher que andava rolando os quadris subisse mais um degrau misterioso nos seus dias.
O elevador zumbia no calor da praia. Abriu a porta do apartamento enquanto se libertava do chapeuzinho com a outra mão; parecia disposta a usufruir da largueza do mundo inteiro, caminho aberto pela sua mãe que lhe ardia no peito. Antônio mal levantou os olhos do livro. A tarde de sábado sempre fora "sua", e, logo depois da partida de Severina, ele a retomava com prazer, junto à escrivaninha.
— "Ela" foi?
— Foi sim, respondeu Catarina empurrando a porta do quarto de seu filho. Ah, sim, lá estava o menino, pensou com alívio súbito. Seu filho. Magro e nervoso. Desde que se pusera de pé caminhara firme; mas quase aos quatro anos falava como se desconhecesse verbos: constatava as coisas com frieza, não as ligando entre si. Lá estava ele mexendo na toalha molhada, exato e distante. A mulher sentia um calor bom e gostaria de prender o menino para sempre a este momento; puxou-lhe a toalha das mãos em censura: este menino! Mas o menino olhava indiferente para o ar, comunicando-se consigo mesmo. Estava sempre distraído. Ninguém conseguira ainda chamar-lhe verdadeiramente a atenção. A mãe sacudia a toalha no ar e impedia com sua forma a visão do quarto: mamãe, disse o menino. Catarina voltou-se rápida. Era a primeira vez que ele dizia "mamãe" nesse tom e sem pedir nada. Fora mais que uma constatação: mamãe! A mulher continuou a sacudir a toalha com violência e perguntou-se a quem poderia contar o que sucedera, mas não encontrou ninguém que entendesse o que ela não pudesse explicar. Desamarrotou a toalha com vigor antes de pendurá-la para secar. Talvez pudesse contar, se mudasse a forma. Contaria que o filho dissera: mamãe, quem é Deus. Não, talvez: mamãe, menino quer Deus. Talvez. Só em símbolos a verdade caberia, só em símbolos é que a receberiam. Com os olhos sorrindo de sua mentira necessária, e sobretudo da própria tolice, fugindo de Severina, a mulher inesperadamente riu de fato para o menino, não só com os olhos: o corpo todo riu quebrado, quebrado um invólucro, e uma aspereza aparecendo como uma rouquidão. Feia, disse então o menino examinando-a.
— Vamos passear! respondeu corando e pegando-o pela mão.
Passou pela sala, sem parar avisou ao marido: vamos sair! e bateu a porta do apartamento.
Antônio mal teve tempo de levantar os olhos do livro - e com surpresa espiava a sala já vazia. Catarina! chamou, mas já se ouvia o ruído do elevador descendo. Aonde foram? perguntou-se inquieto, tossindo e assoando o nariz. Porque sábado era seu, mas ele queria que sua mulher e seu filho estivessem em casa enquanto ele tomava o seu sábado. Catarina! chamou aborrecido embora soubesse que ela não poderia mais ouvi-lo. Levantou-se, foi à janela e um segundo depois enxergou sua mulher e seu filho na calçada.
Os dois haviam parado, a mulher talvez decidindo o caminho a tomar. E de súbito pondo-se em marcha.
Por que andava ela tão forte, segurando a mão da criança? pela janela via sua mulher prendendo com força a mão da criança e caminhando depressa, com os olhos fixos adiante; e, mesmo sem ver, o homem adivinhava sua boca endurecida. A criança, não se sabia por que obscura compreensão, também olhava fixo para a frente, surpreendida e ingênua. Vistas de cima as duas figuras perdiam a perspectiva familiar, pareciam achatadas ao solo e mais escuras à luz do mar. Os cabelos da criança voavam...
O marido repetiu-se a pergunta que, mesmo sob a sua inocência de frase cotidiana, inquietou-o: aonde vão? Via preocupado que sua mulher guiava a criança e temia que neste momento em que ambos estavam fora de seu alcance ela transmitisse a seu filho... mas o quê? "Catarina", pensou, "Catarina, esta criança ainda é inocente!" Em que momento é que a mãe, apertando uma criança, dava-lhe esta prisão de amor que se abateria para sempre sobre o futuro homem. Mais tarde seu filho, já homem, sozinho, estaria de pé diante desta mesma janela, batendo dedos nesta vidraça; preso. Obrigado a responder a um morto. Quem saberia jamais em que momento a mãe transferia ao filho a herança. E com que sombrio prazer. Agora mãe e filho compreendendo-se dentro do mistério partilhado. Depois ninguém saberia de que negras raízes se alimenta a liberdade de um homem. "Catarina", pensou com cólera, "a criança é inocente!" Tinham porém desaparecido pela praia. O mistério partilhado.
"Mas e eu? e eu?" perguntou assustado. Os dois tinham ido embora sozinhos. E ele ficara. "Com o seu sábado." E sua gripe. No apartamento arrumado, onde "tudo corria bem". Quem sabe se sua mulher estava fugindo com o filho da sala de luz bem regulada, dos móveis bem escolhidos, das cortinas e dos quadros? fora isso o que ele lhe dera. Apartamento de um engenheiro. E sabia que se a mulher aproveitava da situação de um marido moço e cheio de futuro - deprezava-a também, com aqueles olhos sonsos, fugindo com seu filho nervoso e magro. O homem inquietou-se. Porque não poderia continuar a lhe dar senão: mais sucesso. E porque sabia que ela o ajudaria a consegui-lo e odiaria o que conseguissem. Assim era aquela calma mulher de trinta e dois anos que nunca falava propriamente, como se tivesse vivido sempre. As relações entre ambos eram tão tranqüilas. Às vezes ele procurava humilhá-la, entrava no quarto enquanto ela mudava de roupa porque sabia que ela detestava ser vista nua. Por que precisava humilhá-la? no entanto ele bem sabia que ela só seria de um homem enquanto fosse orgulhosa. Mas tinha se habituado a torna-la feminina deste modo: humilhava-a com ternura, e já agora ela sorria - sem rancor? Talvez de tudo isso tivessem nascido suas relações pacíficas, e aquelas conversas em voz tranqüila que faziam a atmosfera do lar para a criança. Ou esta se irritava às vezes? Às vezes o menino se irritava, batia os pés, gritava sob pesadelos. De onde nascera esta criaturinha vibrante, senão do que sua mulher e ele haviam cortado da vida diária. Viviam tão tranqüilos que, se se aproximava um momento de alegria, eles se olhavam rapidamente, quase irônicos, e os olhos de ambos diziam: não vamos gastá-lo, não vamos ridiculamente usá-lo. Como se tivessem vívido desde sempre.
Mas ele a olhara da janela, vira-a andar depressa de mãos dadas com o filho, e dissera-se: ela está tomando o momento de alegria - sozinha. Sentira-se frustrado porque há muito não poderia viver senão com ela. E ela conseguia tomar seus momentos - sozinha. Por exemplo, que fizera sua mulher entre o trem e o apartamento? não que a suspeitasse mas inquietava-se.
A última luz da tarde estava pesada e abatia-se com gravidade sobre os objetos. As areias estalavam secas. O dia inteiro estivera sob essa ameaça de irradiação. Que nesse momento, sem rebentar, embora, se ensurdecia cada vez mais e zumbia no elevador ininterrupto do edifício. Quando Catarina voltasse eles jantariam afastando as mariposas. O menino gritaria no primeiro sono, Catarina interromperia um momento o jantar... e o elevador não pararia por um instante sequer?! Não, o elevador não pararia um instante.
— "Depois do jantar iremos ao cinema", resolveu o homem. Porque depois do cinema seria enfim noite, e este dia se quebraria com as ondas nos rochedos do Arpoador.
Texto extraído do livro "Laços de Família", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1998, pág. 94.